terça-feira, 29 de setembro de 2026

A HISTÓRIA POR TRÁS DO HINO DE CAMOCIM

"Vejo ao longe ondear o oceano, Em caixões de espumas pro céus, Camocim entre as ondas boiando, Vai cantando louvores a Deus". 

Esse é o trecho inicial do hino oficial do município de Camocim, cujo aniversário de 147 está sendo comemorado nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026. 

Seu autor, o professor e ex-funcionário do Banco do Brasil, Francisco Valmir Rocha, que no último dia 16 de setembro comemorou 93 anos de vida, nasceu em Coreaú, mas adotou Camocim como sua morada e eterna paixão. 

Em 2011, em rara entrevista concedida ao Historiador e editor do Blog Camocim Pote de Histórias, Carlos Augusto P. dos Santos, Francisco Valmir Rocha contou a história por trás do hino que segue encantando gerações de camocinenses. 

Acompanhe abaixo o relato ao autor:   

"O Hino de Camocim é uma exaltação a esta moldura de oceano ainda inexplorado e selvagem em que se engasta a cidade. Já ali nas proximidades da Estação Ferroviária, ao frescor da praia, você já sente o cheiro de maresia e vê ao longe as ondas encarneiradas do mar. Foram aquelas franjas brancas do oceano que se vislumbram na entrada da barra que sempre me atraíram a vista e me encantaram.

Depois, como se estivessem cavalgando sobre elas, as canoas de velas multicores foram para mim “o Camocim entre as ondas boiando”. Velas de vários formatos, de bastardos, de canoas, velas pequenas e frágeis manejadas por garotos, filhos de pescador, lembram-me sempre a coragem deste povo 'forte e lutador'. 

De fato, quem viu as demonstrações de patriotismo e amor à terra desta gente no tempo do desmanche das oficinas, em que ela saía a ocupar as edificações das ditas oficinas para não deixa-las sair daqui, só pode vê-lo como um povo “forte e lutador”.

De resto, foi o meu amor a esta cidade de, (muito embora não tenha nascido aqui), que me fez criar raiz neste torrão e escolhê-la como a minha cidade a que me fez adorar “as velas vogando ao luar”, mansamente, obscuramente, velejadas pelo povo simples, talvez em busca dos caranguejos dos mangues do outro lado.

Por último, os coqueiros sempre verdes de esperança, que aqui nasceram como por encanto, a acenar para quem chega e quem sai, foram sempre marcantes e que eles sejam a última miragem “antes que a luz se me apague dos céus.”

A MÚSICA E A LETRA - O hino foi composto em 16 de setembro de 1964 quando se preparava o aniversário da cidade daquele ano. A música despontou em mim, dando colorido e exaltação às primeiras palavras do poema, que nascia também. De sorte que letra e música surgiram num mesmo ímpeto de exaltação à terra. Elas se casam. A música vívida e marcial vem justamente levar mais alto a empolgação por esta terrinha que Deus plantou à beira do oceano – o meu Camocim, o nosso Camocim.

Por Tadeu Nogueira (com Camocim Pote de Histórias)