domingo, 12 de julho de 2026

O SERVENTE DE PEDREIRO

Por José Maria Trévia 
(Escritor Camocinense)

Pelo lado sul, a minha casa da Rua Senador Jaguaribe, em Camocim, confinava-se com um terreno, que já pertencera a Manoel Saldanha, cujas benfeitorias eram constituídas, apenas, de uma cerca de grossas estacas, que lhe indicava o limite frontal, e uma cacimba de boca quadrada e pouca largura. 

Naquele dia, início do ano de l957, enquanto as carroças ali chegavam com as primeiras carradas de tijolos e areia, a cerca foi posta abaixo, ao mesmo tempo em que as escavações, para construção dos alicerces, foram iniciadas. O Sr. Antonio Enéas, nosso futuro vizinho, iniciava a concretização de seu sonho da casa própria.

Nas primeiras semanas, que sucederam o início daquela obra, fui atraído apenas pela curiosidade, observando os alicerces nascendo da terra e se impondo como sustentáculos das paredes, que foram crescendo, ininterruptamente. 

Entretanto, com o passar dos dias, tornei-me cada vez mais interessado em participar daquele trabalho, talvez ferroado pelo besouro verde da atividade produtiva e, principalmente, vislumbrando uma fonte de renda, por menor que fosse, naquela casa em construção.

Mas, como poderia eu fazer parte daquele grupo, se não era pedreiro, servente ou qualquer outro profissional da construção civil? 

A resposta estava ali, à minha frente, quando observei que os dois padioleiros não passavam de dois meninos, com idades que em quase nada diferenciavam da minha. A padiola no chão, com seus varais apoiados sobre quatro pedaços de tijolos, para permitir que as mãos os abraçassem na hora de suspendê-los, recebia em seu lastro a pilha de tijolos ou a pirâmide de areia a serem transportadas para o interior da construção. 

Busquei aproximação, para iniciar o indispensável entrosamento com os pequenos trabalhadores. Ofereci-me para carregar, algumas vezes, a padiola; ajudei a arrumar a pilha de tijolos, aprendi seus nomes, admirei a humildade do Raimundo, que era filho de um pedreiro da obra.

- Quanto você ganha, aqui, Raimundo ? Indaguei, fazendo planos para o futuro.

- Vinte cruzeiros por semana, respondeu sem parar de arrumar os tijolos na padiola.

- E o João, recebe o mesmo tanto?

O próprio João antecipou-se para responder.

- Eu não, o papai é o dono da construção, disse com simplicidade.

À época não havia esse negócio de proibição do trabalho infantil. Sorte nossa que menino tinha o direito de trabalhar, quando assim fosse o seu desejo. Ademais, eu tinha pela frente ainda muitos dias de férias escolares e gastar parte daquela energia de forma remunerada seria prazeroso e valeria a pena. Mas, eu teria, ainda, que procurar o patrão e convencê-lo a aceitar-me na sua equipe de trabalho.

Embora contasse, apenas, nove anos de idade e agregasse a ingenuidade de menino do interior, percebi que, num diálogo frontal com o Sr. Antonio Enéas, buscando uma vaga no serviço de peão, certamente, ele me faria ver, com alguns anos de antecipação, um daqueles avisos, escritos com letras desalinhadas em um pedaço de tábua, dependurados nos tapumes que cercam algumas construções: “NÃO HÁ VAGAS”. Mas, eu haveria de encontrar um jeito de mudar essa tendência.

Ao voltar para casa, falei para minha mãe que eu gostaria de trabalhar na construção vizinha.

- Você é muito pequeno e esse serviço é muito pesado, disse ela preocupada.

- Não é pesado, eu mesmo vi o “seu” Antonio Enéas falando para os meninos não colocarem muito peso na padiola, e que carregassem o material aos poucos. E eu, também, experimentei carregar a padiola, argumentei, gesticulando, buscando fortalecer a minha argumentação.

Nas suas idas e vindas à construção, o Sr. Antonio Enéas cumprimentava minha mãe, conversava um pouco e, às vezes, pedia um copo d’água.

- Essa água é dormida ? Pergunta ele, quanto lhe entrego o copo trazido sem bandeja.

Não entendi sua indagação e lanço um olhar interrogativo para minha mãe, que prontamente me socorreu.

- É, sim, “seu” Antonio, já está há dois dias no pote, antes de ser filtrada. Para mim, a melhor água é lá do Cruzeiro, que compro dos filhos do Bandeira.

Naqueles tempos, a água comprada para beber era trazida em ancoretas, que chamávamos de canecos, feitos de madeira e cintas de ferro, semelhantes às barricas utilizadas nos barcos, porém, bem mais esbeltos. 

Era transportada por jumentos, que transitavam pelas ruas, carregando quatro canecos, cujos orifícios de descarga eram fechados com sabugos, envoltos por retalhos de tecidos. Na lateral de cada caneco, a pequena abertura, utilizada como suspiro, era vedada com um fino tampão de madeira.

Para lembrar-lhe o meu pedido, cochichei com minha mãe, que permanecia recostada à janela, pelo lado de dentro.

- O que ele quer ? Indaga o Sr. Antonio, com o seu estilo direto.

Minha mãe comentou o meu pedido, mas sem tomar parte no meu interesse. E o Sr. Antonio se restringiu a dizer que me avisaria quando surgisse uma vaga, o que veio confirmar, na íntegra, o meu receio da ausência de vagas. Permaneci calado, mas, insatisfeito. Eu sentia que, somente forçando, haveria vaga.

Passaram-se alguns dias e, como eu previra, nada acontecera. Resolvi, então, que eu mesmo me empregaria.

Eis que chega uma segunda-feira, 7h da manhã, horário confirmado pelo apito nas oficinas da Estrada de Ferro, por onde o meu futuro patrão se orientava para monitorar as entradas e saídas dos trabalhadores. Cheguei, pontualmente, na hora devida. 

Conhecia o serviço, tinha a amizade dos parceiros e já nos identificávamos com perfeição. Era só começar a trabalhar. Dito e feito. O trio se revezava na padiola e na arrumação dos tijolos, ninguém ficava parado, havia serviço para todos e a obra parecia que andava mais rápido.

No dia seguinte, à tarde, o Sr. Antonio nos distribuiu algumas tarefas. Em dado momento, olhou-me, meio pensativo.

- Ah! Você está trabalhando aqui, né ?

- Estou, sim senhor, desde ontem pela manhã.

- Está certo. E continuou a nos dar ordens e a distribuir tarefas.

Fiquei muito feliz. Para mim, aquele “está certo” significava “você está na folha de pagamento”.

Finalmente, chega sábado, o dia em que era efetuado o pagamento. Às cinco horas da tarde eu também estava com os trabalhadores, lá na sala de jantar da casa, com piso ainda de terra. Alguns permaneciam de pé, enquanto outros se mantinham sentados sobre o amontoado de escoras de madeira. 

A um canto, alguém, cabisbaixo, insistia em retirar, com um canivete, restos de cal e cimento das unhas ressecadas, quando chega, finalmente, o patrão, com dinheiro e papel nas mãos. Murmúrios enchem o ambiente e todos se mexem, buscando um lugar mais próximo da mesa de pagamento. 

“Seu” Antonio faz uma pilhéria com o mais novo contratado na obra. Risos, mas a prioridade para os mais velhos, ou antigos, não foi obedecida. Fui o primeiro a ser chamado, mas, até hoje, não sei bem qual a razão. Talvez o motivo principal tenha sido a simplicidade dos cálculos exigidos para conhecer o saldo de minha conta, já que eu não faltava ao trabalho e nem emitia vale, solicitando adiantamento, no decorrer da semana.

- Tome aqui o seu pagamento, disse ele entregando-me uma nota de vinte cruzeiros, uma linda cédula que emoldurava a foto do Marechal Deodoro da Fonseca, com sua barba longa e o peito coberto de medalhas.

Senti uma enorme alegria ao receber o meu primeiro salário. Agradeci e assegurei que, na segunda-feira, estaria de volta.

Nas semanas que se sucederam, continuei a trabalhar na construção, cada vez mais firme, empunhando a padiola e sua carga de tijolos, barro ou areia.

Mas, o final das férias estava chegando e eu teria que voltar às aulas na quinta-feira. No final da tarde de quarta-feira, fui falar com meu patrão.

- “Seu” Antonio, amanhã não venho mais, porque começam as minhas aulas...

- Está certo, vá estudar. Depois, apareça aqui, para receber o seu saldo.

Retornei às aulas e, a duras penas, fui obrigado a abandonar a atividade que registrei na memória trabalhista como servente de pedreiro, numa tentativa de enaltecer a minha modesta função. Mas, isto, apenas por vaidade, já que não cheguei a exercer atribuições como a de preparar argamassa, tarefa realizada com muita competência por todo servente de pedreiro que se preza.

Por timidez ou acossado por valores culturais da época, senti-me desencorajado a voltar, espontaneamente, à presença de meu ex-patrão para apanhar o meu saldo, já que isto poderia dar, aos olhos de alguns, uma conotação de “cobrança” a um senhor de respeito, embora houvesse, ele mesmo, recomendado tal procedimento. Mas, para sorte minha, o “seu” Antonio não era homem de esquecer dívidas.

Alguns dias depois, o próprio João veio chamar-me, por ordem do meu ex-patrão. Prontamente atendi o chamado e fui encontrá-lo, de camisa branca e sem mangas, pitando o seu cachimbo, sentado na velha e macia rede de tucum.

- Você não veio buscar o restante do seu pagamento... Disse ele, sem concluir a frase.

Eu me limitei a balançar os braços e a soltar um sorriso amarelo, embora ansioso para receber o pagamento pelos meus últimos três dias de trabalho na construção.

A velha carteira de cédulas foi aberta e dela retirada uma nota de dez cruzeiros, estampando a foto ainda jovial de Getúlio Vargas. De um jeito encabulado, recebi o dinheiro e agradeci.

- Pronto, agora você pode ir, disse ele, ao mesmo tempo em que interrompia a minha saída para liberar mais um conselho.

- Não se esqueça de seus estudos e aproveite o tempo, enquanto é cedo.

Assenti, levemente, com um movimento da cabeça e um olhar fixo no velho patrão.

Transcorreram mais de cinquenta anos e a velha casa número sessenta, da antiga Rua Senador Jaguaribe, não existe mais. Naquele local, ergue-se, atualmente, uma nova residência, mais moderna, mais imponente. 

Entretanto, as minhas lembranças, quando vagam, encontram sempre a antiga casa amarela, que ajudei a construir e onde ganhei o primeiro dinheiro, com o suor do meu rosto.

Texto extraído do livro "Outros Tempos", de José Maria Trévia

sábado, 11 de julho de 2026

CAMOCIM INTENSIFICA COMBATE AO SOM ALTO NA BEIRA-MAR


Em Camocim, o Departamento Municipal de Trânsito (DEMUTRAN) iniciou nesta sexta-feira (10) um trabalho de intensificação no combate ao som alto, prática criminoso especificada em lei estadual.

Com foco principalmente nos paredões, placas de advertência começaram a ser instaladas na Beira-Mar, entre a Estação Ferroviária e Praça do Amor.

A ação terá continuidade com abordagens aleatórias.

As denúncias poderão resultar em multa e apreensão de equipamentos.

O Camocim Online conferiu de perto a colocação da primeira placa.

Confira na Reportagem de Gonzaga Júnior e Tadeu Nogueira.

Por Tadeu Nogueira

ABUSO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: PF AGE EM CAMOCIM

A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão contra um alvo investigado por crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente virtual. 

A medida foi cumprida em Camocim, no Litoral Oeste, durante a operação “Inocência Protegida XX”, deflagrada nesta sexta-feira, 10.

Conforme o órgão, o objetivo do mandado é arrecadar aparelhos celulares, computadores, mídias de armazenamento e outros dispositivos eletrônicos que possam contribuir com as investigações e a preservação de vestígios digitais. 

Ainda segundo o órgão, a investigação teve início a partir de comunicações encaminhadas pelo National Center for Missing and Exploited Children (NCMEC).

No material, a organização compartilhou relatórios produzidos por provedores de aplicações de internet, indicando a disponibilização pública de arquivos com material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. 

A partir de cooperação internacional e cruzamento de dados, a PF conseguiu ligar o suspeito às atividades investigadas. 

O material apreendido será encaminhado à perícia técnico-científica para identificar a existência de arquivos ilícitos e outros elementos.

O alvo da operação, segundo a PF, poderá responder pelos crimes de compartilhamento e armazenamento de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. 

As investigações seguem para análise pericial do material apreendido.

Por Tadeu Nogueira (com G1)

sexta-feira, 10 de julho de 2026

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TAINAH É DERROTADA NO TSE AO USAR DIA DAS MÃES PARA DERRUBAR JAIME

Da Série "É o cão que acredita!"

Acredite, não é #tbt! 

O ministro André Mendonça, do TSE, negou o pedido de cassação do Prefeito de Barroquinha, Jaime Veras, apresentado pela coligação de Tainah Marinho, esposa do deputado Romeu Aldigueri de Arruda.  

A decisão encerra uma tentativa da oposição de invalidar o mandato com base em acusações que, segundo a defesa, jamais tiveram o mínimo de veracidade. 

O pedido sustentava duas acusações: abuso de poder na distribuição de brindes do Dia das Mães e pintura de prédios públicos na cor azul, mesma tonalidade da campanha. 

Ao analisar o mérito, Mendonça negou a cassação por entender que não houve prova concreta de abuso — requisito indispensável para uma condenação dessa gravidade.

O magistrado tratou a distribuição de brindes como ação tradicional do município, sem intuito político-eleitoral. Já a pintura dos prédios foi descartada por falta de demonstração de desvio de finalidade, afastando a tentativa de converter escolhas administrativas em ilícito eleitoral.

A decisão reforça a jurisprudência de que acusações dessa natureza exigem provas robustas, não alegações genéricas. Nos bastidores, o episódio é visto como tentativa de usar a máquina judiciária para desgastar a gestão e reverter nas urnas o que não foi conquistado democraticamente.

Por Tadeu Nogueira

ELEIÇÕES: CAMOCIM, GRANJA E BARROQUINHA TERÃO TROPAS FEDERAIS

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) vai requisitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o envio de forças federais para 66 municípios cearenses. 

Confira alguns deles: Martinópole, Camocim, Massapê, Senador Sá, Sobral, Chaval, Barroquinha, Granja, Uruoca e Acaraú.

O objetivo é garantir, nos dias das votações, a segurança necessária para que o eleitor possa exercer com segurança sua cidadania, seu poder de escolha.

A lista dos 66 municípios é resultante das informações coletadas pela Assessoria de Governança e Apoio aos Polos Administrativos, pela Assessoria de Segurança e Inteligência (ASINT) e pela Comissão Permanente de Segurança do TRE, junto aos juízes eleitorais das 109 Zonas, acatando as justificativas apresentadas pelos magistrados nas solicitações.

Por Tadeu Nogueira

GUARAMIRANGA RECEBE DOCUMENTÁRIO SOBRE DRAMISTAS CEARENSES

O documentário "Dramistas: Memórias do Ceará" será exibido neste sábado (11), às 18h, no Theatro Rachel de Queiroz, em Guaramiranga. 

Filmada nos primeiros meses de 2021, a obra destaca a atuação cultural dos dramas populares no Estado e apresenta grupos que mantêm a prática dramista ainda hoje. 

A exibição iniciou seu percurso no último domingo, 5, no Espaço Cultural Quintal de Afetos, no Sítio Bananeiras, na cidade de Guaraciaba do Norte, e continuou na segunda-feira, 6, em Tianguá, passando em seguida por Sobral, Meruoca e Forquilha. 

Seja no interior, nas praças, nos quintais ou terreiros, os dramas cearenses são uma manifestação tradicional da cultura popular do Ceará que combina encenação, música, dança e crítica social. 

Preservados e encenados, sobretudo, por mulheres - as dramistas -, os espetáculos retratam a vida no campo, histórias locais que passaram de geração em geração, religião e até paródias que conversam com o cotidiano.

Por Tadeu Nogueira (com O Povo)


quinta-feira, 9 de julho de 2026

GUARDA DE SOBRAL: CONCURSO ABERTO COM 370 VAGAS

O edital do Concurso Prefeitura de Sobral CE traz oportunidades para a Guarda Municipal com exigência de Ensino Médio e iniciais que passam de R$ 3,2 mil

O edital do concurso da Guarda de Sobral, município do estado do Ceará, foi publicado, com a oferta de 220 vagas imediatas, além da formação de 150 oportunidades em cadastro de reserva, direcionadas ao cargo de Guarda Civil Municipal.

A organização do certame está a cargo do Instituto Consulpam, que recebe as inscrições até o dia 20 de julho. O candidato ainda deve efetuar o pagamento da taxa no valor de R$ 179,00.

No dia 18 de outubro, os candidatos devidamente inscritos serão avaliados por meio de uma prova objetiva de múltipla escolha. Posteriormente, outras etapas ainda serão aplicadas.

O salário inicial da carreira está fixado em R$ 3.242,00, que engloba o vencimento-base de R$ 1.621,00, acrescido de 50% de Gratificação de Desempenho e 50% de Gratificação de Risco de Vida.  

A jornada de trabalho para os aprovados será de 40 horas semanais.

por Tadeu Nogueira (com Estratégia Concursos) 

VII CAMOCIM FESTIVAL DE VERÃO ABRE INSCRIÇÕES

Estarão abertas, de 8 a 13 de julho, as inscrições do VII Camocim Festival de Verão. 

Reúna sua equipe, escolha sua modalidade e venha fazer parte dessa grande celebração do esporte, da saúde e da integração.

 Modalidades:
• Beach Soccer (Masculino e Feminino)
• Beach Tennis (Masculino e Feminino)
• Carimba (Misto e Feminino)
• Futevôlei (Masculino)
• Kitesurf (Masculino e Feminino)
• Vôlei de Praia (Masculino e Feminino)
• Windsurf (Masculino)

A abertura oficial acontecerá no dia 24 de julho, na Praia do Farol. 

Link para inscrições (gratuitas) na bio da @sesportecamocim

Por Tadeu Nogueira 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

GRANCHITÃO 2026 CHEGA A QUASE R$ 4 MILHÕES SÓ EM ATRAÇÕES

Somente os cachês das atrações do Festival de Quadrilhas de Granja deste ano, conhecido como Granchitão, que será realizado entre 23 e 25 de julho, custará quase R$ 4 milhões aos cofres municipais. 

O maior cachê, de R$ 765 mil reais, por cerca de 90 minutos de show, será pago ao cantor Pablo. 

O menor, de R$ 400 mil reais, vai para o cantor Rey Vaqueiro. 

Confira os demais: Sorriso Maroto (R$ 750.000,00) - Pedro Sampaio (R$ 750.000,00)  - Seu Desejo (R$ 500.000,00) - Felipe Ret (R$ 650.000,00)
 
Total apenas em cachês: R$ 3.815.000,00

A conta não inclui palco, decoração, som, luz, segurança, etc. Com isso, o custo total do evento pode chegar a R$ 6 milhões de reais. 

Listada entre as cidades mais pobres do país em renda média, Granja segue sem contar com infraestrutura hoteleira e gastronômica. 

"Este ano os Granjenses vão ter que bancar a festa para autopromoção de dois candidatos. Antes era só um. Haja luxo e riqueza. O resto, bom, o resto, por trás das redes sociais, todo mundo aqui sabe como funciona", disse um morador. 

Por Tadeu Nogueira 

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DEPUTADO ROMEU COBRA, MAS NEGA TRANSPARÊNCIA

Enquanto espalha igual rastilho de pólvora em sua "mídia particular" que está sendo "atacado" por perfis anônimos, acionando para isso a justiça e cobrando respeito e transparência, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE), deputado Romeu Aldigueri de Arruda, chefe da oligarquia que comanda com mão de ferro o município de Granja, estaria se negando a ser transparente em relação à solicitação básica de um cidadão.

No último dia 23 de abril, o advogado João Mota entrou com um pedido formal com base na Lei de Acesso à Informação, solicitando dados objetivos sobre trabalhadores terceirizados da ALECE: número, nomes, remuneração, lotação e controle de jornada.

A resposta recebida, segundo o causídico, foi evasiva, limitando-se a indicar links genéricos, sem fornecer diretamente as informações solicitadas, o que contraria a legislação.

Sobre as recentes cobranças do deputado Romeu a respeito de transparência, o advogado João Mota fez o seguinte comentário:

"O anonimato não fortalece a democracia, enfraquece o debate público. Mas a transparência precisa valer para todos. Da mesma forma que o senhor cobra que as pessoas apareçam de cara limpa, eu cobro que a Assembleia Legislativa também seja transparente com o dinheiro público. Estou na Justiça pedindo apenas informações básicas sobre os milhares de terceirizados da Assembleia: quem são, qual a função que exercem, quanto recebem e como é fiscalizada a prestação desses serviços. São recursos pagos pelo contribuinte cearense. O cidadão tem o direito de saber quem está sendo remunerado com dinheiro público e se esse trabalho está sendo efetivamente prestado. Transparência não pode ser uma exigência apenas para quem critica. Ela deve começar dentro das instituições públicas. Se cobrar identificação de quem fala é correto, fornecer informações sobre quem recebe recursos públicos também é. Esse é o exemplo que a sociedade espera de quem ocupa um cargo público".

Por Tadeu Nogueira

terça-feira, 7 de julho de 2026

LIBERDADE DE IMPRENSA: CAMOCIM ONLINE VENCE MAIS UMA BATALHA CONTRA ROMEU

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) julgou improcedente a representação proposta por Romeu Aldigueri de Arruda contra o Blog Camocim Online e alguns outros perfis nas redes sociais. 

Na decisão, o magistrado concluiu que as publicações questionadas estavam amparadas pela liberdade de expressão e pela liberdade de imprensa, afastando qualquer prática de propaganda eleitoral antecipada, desinformação ou uso irregular de inteligência artificial.

A sentença foi além e destacou que a Justiça Eleitoral não pode ser transformada em instrumento para impor uma narrativa oficial, nem para silenciar críticas políticas. 

Segundo o desembargador Magno Gomes de Oliveira, as postagens tiveram como base fatos efetivamente ocorridos e traduziram interpretações e opiniões legítimas, protegidas pela Constituição, preservando o livre debate democrático.

A defesa do Camocim Online foi conduzida pelo advogado Jorge Umbelino, do Escritório Umbelino Advocacia, que sustentou a inexistência de qualquer ilicitude e a plena proteção constitucional da atividade jornalística. 

Os argumentos foram acolhidos integralmente pela decisão, que manteve as publicações no ar e reconheceu a inexistência de qualquer abuso por parte do veículo de comunicação.

A derrota judicial, e essa não foi a primeira, reforça as críticas às sucessivas tentativas de Romeu Aldigueri de Arruda de levar embates políticos ao Judiciário para restringir manifestações críticas. 

O recado do TRE foi claro: em uma democracia, figuras públicas devem conviver com o contraditório, e a liberdade de imprensa continua sendo um dos pilares que não podem ser enfraquecidos por ações de caráter intimidatório.

Em tempo: a foto é original. Não utilizamos IA em nossas publicações.

Por Tadeu Nogueira 
Editor-Chefe do Camocim Online, no ar há 18 anos, registrado sob o CNPJ 46.454.202/0001-04, localizado à Rua Zeferino Veras, 301, centro, Camocim. 

CONHEÇA DYRLANE, A MURALISTA QUE VEM COLORINDO CAMOCIM


Artista autodidata adepta do Muralismo, técnica que utiliza paredes e painéis arquitetônicos como suporte, a jovem Dyrlane Araújo, de 23 anos, vem espalhando a cada dia que passa sua arte por Camocim.

Natural de Ubajara, mas residente de Camocim há bastante tempo, Dyrlane, por meio da sua empresa, a Dyllart, tem se destacado com trabalhos que valorizam residências e espaços comerciais como restaurantes, bares e pousadas.

“Arte é mais que uma pintura em uma parede, é valorização, estética, identidade”, diz a Muralista.

Para saber mais sobre sua história, o Camocim Online conversou com a artista enquanto finalizava um trabalho no Restaurante Bistrô Kite, na Praia do Maceió, em Camocim.

Confira na Reportagem de Gonzaga Júnior e Tadeu Nogueira.


Por Tadeu Nogueira