Em 1929, em Atlanta, na Geórgia, nascia Martin Luther King.
Em 1954, aos 25 anos, após ter concluído sua formação acadêmica, ele assumiu um pastorado numa Igreja Batista, na pequenina Montgomery, no Alabama, onde o racismo, àquela época, imperava na sua forma mais brutal, estampado na face horrenda da Klu Klux klan, irmandade secreta de homens brancos que causava terror entre os negros, devido suas ações truculentas, inclusive assassinatos, encontrando, no seu cotidiano, pessoas com certos privilégios, outros, a maioria, que já haviam se resignado àquela situação em que viviam por causa dos castigos constantes que a segregação social lhes impunha – e que achavam, de modo obtuso, não terem o mesmo valor que o branco.
Martin Luther King, na sua primeira prédica, falou, aos membros de sua Igreja, com clareza, mas sem demonstrar qualquer mágoa, sobre o que ele havia sofrido, anteriormente, com aquele tipo de separação social, contando-lhes, com detalhes assombrosos, certos dissabores pelos quais passara, na mocidade, enfrentando sempre os seus opositores através de argumentos convincentes, com o dom da Palavra.
Ele ensinou que brancos e negros têm o mesmo valor porque ambos são filhos diletos do mesmo Pai do Céu que os criara amorosamente à Sua imagem e semelhança para conviverem em harmonia, como irmãos.
Assim, levantou a autoestima daqueles que já haviam sucumbido ao apartheid, que tinham se resignado aos sofrimentos, os mais diversos, que lhes eram infligidos, dia após dia, por uma parcela significativa da sociedade norte-americana que via aquelas “pessoas de cor” como uma raça inferior, subalterna, portanto, à elite branca que tudo dominava.
Nos seus belos sermões dominicais, cada vez mais concorridos de público por conta de sua maravilhosa oratória, ele ensinava o que Jesus dissera em Lucas 6: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.”
Em 1955 ocorreu um fato aparentemente trivial, mas que reescreveria, pelo menos em parte, a História da América: uma senhora negra, depois de uma cansativo dia de trabalho, ao voltar para casa, não deixou que um jovem branco se sentasse no seu lugar no ônibus, o que não era costumeiro, e foi castigada por causa dessa sua atitude “imprópria” que punha em xeque os ditames das normas sociais então vigentes nos estados sulistas americanos, particularmente no conservador Alabama.
Ao invés de permitir que os negros fizessem atos de revolta, por conta disso, Martin Luther King iniciou, para espanto de muitos amigos, uma ação pacífica que pregava simplesmente um boicote aos ônibus. Durante um ano, os negros não usaram ônibus, resolvendo tudo a pé.
Em 1956, quando uma bomba feita por brancos atingiu a sua casa, e os negros quiseram linchar àqueles que jogaram o artefato, ele pediu calma à multidão, que se formara rapidamente, por ali, mandando que voltassem para suas casas ao dizer-lhes, com voz firme, estas palavras: “Nós temos que amar os nossos inimigos”. Todos lhe obedeceram.
Ao longo dos anos subsequentes, muitas demonstrações pacíficas em todo o país seguiram a estes primeiros atos e, aos poucos, as leis foram mudadas, até que, em 1965, os negros até ganharam o direito de votar.
1964, Martin Luther King recebeu merecidamente o Nobel da Paz porque mostrara ao mundo que era possível lutar pelas causas sociais sem o uso da violência, de armas, assim como Gandhi o fez na Índia.
Em 1965, um branco fanático assassinou Martin Luther King a tiros. Todavia, sua voz não foi calada. Seus ideais ganharam ainda mais evidência e projeção nacional e internacional, após sua partida, fazendo com que a inclusão social fizesse parte integrante do sonho americano.
Graças aos seu legado pacifista, de defensor intransigente das causas dos negros, clamando por justiça social, atualmente a América respira novos ares com a inserção gradativa de leis que protegem as minorias.
*Professor e Escritor Camocinense