Há imagens que se constituem indeléveis em
nossas mentes. Isto tem a ver com a memória que carregamos, embora que às vezes
o suporte destas memórias venham a desaparecer física ou tecnologicamente, como
explicarei mais à frente. Dessa forma, carrego comigo imagens que remetem aos
espaços do Mercado e Cadeia públicos de
Camocim que, se o suporte tecnológico deixarem de existir, as mesmas estarão
vivas na minha lembrança até onde as faculdades mentais permitirem. Feito este
esclarecimento passo a descrever estas imagens, que de resto, podem ser também
de outras pessoas.
A primeira ocorreu quando corria o ano de 1974, e como todo
ano que termina em quatro é bom de inverno, Camocim sofreu com a rigorosidade
das chuvas. A então estrada da Barroquinha (ainda carroçável) ficou cortada à
altura das Cangalhas, casas caíram e até gente morreu nestes acidentes, mas, a
imagem que ficou na minha cabeça foi a do Mercado tendo os quartos comerciais do
lado oeste escorados por carnaúbas, veiculada pelo Jornal Nacional. Talvez seja
este o poder da imagem transmitida pela televisão em nosso subconsciente. Até
hoje, quando passo por lá, a lembrança deste tempo vem à tona.
Da mesma forma, toda vez que passo defronte
da Cadeia Pública não dá para não lembrar do caso dos presos que subiram nos
coqueiros, numa atitude que até hoje não sei se foi de fuga ou protesto. Logo
após a descida dos presos, os coqueiros foram condenados ao corte como medida
de segurança. No entanto, não lembro nitidamente de algo que presenciei in loco
naquele dia, mas o que ficou foi a imagem mostrada na TV Verdes Mares,
capturadas pelo então cinegrafista amador Tadeu Nogueira, que ainda não sonhava
ser blogueiro porque blogs não existiam ainda. A data deste evento não lembro
(ajuda aí Tadeu), embora que a de 1974 ainda no século passado tenha ficado
retida - sintoma dos lapsos de memória que aumentam com a idade. O mercado
segue em pé, talvez tenhamos um bom inverno num ano terminado em 4 se a
sabedoria popular se confirmar. Só não teremos mais os coqueiros da Cadeia
Pública.
Carlos Augusto Pereira dos Santos
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Lá vou eu: Lembro bem desse dia do protesto na cadeia, mas não sei precisar o ano também. Penso que tenha sido entre 90 e 92. Minhas imagens realmente correram o Brasil, e teve, fora a parte séria da coisa, um toque cômico, já que do coqueiro onde eles estavam, sá daria pra fugir voando.
Lá vou eu: Lembro bem desse dia do protesto na cadeia, mas não sei precisar o ano também. Penso que tenha sido entre 90 e 92. Minhas imagens realmente correram o Brasil, e teve, fora a parte séria da coisa, um toque cômico, já que do coqueiro onde eles estavam, sá daria pra fugir voando.