terça-feira, 26 de setembro de 2017

O PURGAMENTO DA VACA, POR ARTUR QUEIRÓS

Ali pelo início da década de 40, do século XX passado, funcionou aqui em Camocim modesta farmácia no mercado público local, parte externa, lado leste ou nascente, montada de pequeno estoque de remédios, pois que seu proprietário, comerciante de poucos recursos também manipulava remédios caseiros, como se diz, no que era habilidoso o senhor Horário, e que o tratavam por “doutor”. Portanto, doutor Horário.
Bastante comunicativo e loquaz, o nosso doutor logo granjeou simpatias e amizades por aqui, mesmo vindo de outras paragens, sem se saber de onde. Engajou-se na luta pela vida, usando meios honestos de trabalho para o sustento de numerosa família. O “doutor” Horário apresentava na época, pela aparência, a idade de cinqüenta anos, boa idade para o trabalho.
Manipulava pílulas de várias espécies que eram apresentadas na cor prateada e destinada a várias mazelas do corpo, com preço bem acessível par aos de menor recurso. Daí a clientela que o procurava, pois que também, à moda antiga, boticário do interior, ouvindo a queixa do paciente, indicava-lhe o remédio a tomar, quase sempre do que tinha na prateleira, uma poção a manipular, além das milagrosas pílulas que fabricava. Muito funcionava o sistema, levando-se em conta o forte grau da suposta ciência de que se revestiam os sábios conselhos do “doutor” Horário..
Certa manhã, de um verão calmo e alegre, lá pelas oito horas, sol brilhante, o “doutor” Horário pôs uma mesinha ali na porta de sua drogaria e sobre ela colocou uma bandeja com muitas pílulas a tomar um pouco de banho de sol, para se tornarem mais sólidas e encorpadas.
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Autodidata, Artur Queirós era memorialista, escritor e jornalista. A crônica acima foi publicada pela primeira vez no Camocim Online em 04/10/2009

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