sábado, 8 de setembro de 2018

POR QUE UMA PESSOA COMETE SUICÍDIO?

Artigo da Psicóloga e Neuropsicóloga, Jô Alvim
Não é de hoje que somos surpreendidos com alguns casos de suicídio, seja de alguma celebridade ou de pessoas que, direta ou indiretamente, estavam próximas a nós. Nestas ocasiões, chocados, a pergunta que insistentemente invade a nossa mente é: Por quê?
No dia 10 de setembro, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o Dia mundial de Prevenção ao Suicídio, mas é preciso falar sobre este assunto em outras datas também. Sem tabus.
Nossa cultura valoriza a vida em todos os sentidos, haja vista os incontáveis métodos de rejuvenescimento. Daí a morte, mesmo sendo um processo natural, não é bem-vinda porque rompe com o sonho humano de imortalidade. O suicídio, então, é tido como intolerável, nos conduzindo quase sempre a buscarmos uma justificativa para compreender tal ato e amenizar nossa perplexidade.    
O comportamento intencional de tirar a própria vida é resultado da soma de diversos fatores de origem emocional, psíquica, social e cultural. O indivíduo busca na morte o alívio, uma forma de fugir daquilo que o deprime, que o exclui de maneira insuportável. Decepções amorosas, problemas familiares ou financeiros, depressão, transtornos de personalidade, abuso de substâncias químicas, são alguns dos fatores. Claro que nem sempre tais fatores atuam como causa direta, mas podem potencializar o risco da depressão e levar ao suicídio.
Mas, o suicídio seria apenas uma forma de autopunição? Também. 
O suicida tem desejos de vingança como, por exemplo, uma forma de punir pessoas próximas para que se sintam culpadas ou tristes. Pode ainda ter desejo de reparação, de salvação, de escape, de sacrifício, de reencontrar-se com alguém que já tenha morrido, de estar mais próximo de Deus, etc.
Tais desejos são declarados em cartas de despedida ou em fragmentos de conversas relatadas, mais tarde, lembradas por amigos ou familiares, sobre alguns comportamentos ou falas que sinalizavam a intenção de suicídio, mas que naquele momento não deram importância.
Por isso que é perigoso avaliar um comportamento de alguém que diz que quer se matar banalizando com frases do tipo “ele (a) só quer chamar atenção”. É preciso ajudar, sem necessariamente ser um especialista, demonstrando interesse genuíno em acolher o outro.
Coragem ou covardia de quem tira a própria vida? As opiniões se dividem. De qualquer forma, o ato contra a vida pode ocorrer num gesto impulsivo e a pessoa vai embora pra sempre. E é o pra sempre que nos incomoda.

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