Gladys Mae West, a matemática cujos complexos modelos da forma da Terra lançaram as bases fundamentais para o Sistema de Posicionamento Global (GPS), morreu no sábado, 17, aos 95 anos.
A sua trajetória não foi apenas um triunfo do intelecto, mas um testemunho de resiliência contra as barreiras impostas pela segregação racial e de gênero nos Estados Unidos do século XX.
Nascida numa família de agricultores no Condado de Dinwiddie, Virgínia, em 1930, Gladys rejeitou o destino nos campos de tabaco e algodão, vendo na educação a sua única rota de fuga. Formou-se como primeira da turma no ensino médio e obteve bolsa para a Virginia State College, onde concluiu a graduação e o mestrado em matemática.
Em 1956, ingressou no Campo de Provas Naval de Dahlgren, tornando-se a segunda mulher negra contratada pela base e uma das únicas quatro funcionárias negras no local.
Numa era em que a computação ainda engatinhava, West destacou-se pela programação de supercomputadores, como o IBM 7030 Stretch, para analisar dados de satélites.
O seu trabalho mais decisivo envolveu a geodesia por satélite: a tarefa hercúlea de modelar matematicamente a forma irregular da Terra, conhecida como geoide. Como gerente do projeto Seasat, o primeiro satélite de sensoriamento remoto dos oceanos, West refinou os cálculos que permitiram medir a superfície terrestre com precisão de centímetros.
Sem esse modelo matemático preciso, a tecnologia GPS que hoje guia desde operações militares até a navegação em smartphones seria impossível.
Por Tadeu Nogueira (com Veja)
