O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento (Will Bank), controlada pelo Banco Master.
A primeira medida recomendada pelas autoridades reguladoras diz respeito à manutenção dos pagamentos. Embora o aplicativo e os cartões do banco tenham sido bloqueados, as dívidas contraídas pelos clientes permanecem válidas contratualmente.
É o que explica o advogado Roberto Novais, que tem atuação em regulação e litígios empresariais. Segundo ele, o não pagamento pode acarretar juros de mora e a inclusão do nome do consumidor em cadastros de inadimplentes como o Serviço de proteção ao crédito (SPC) e o Serasa, uma vez que os ativos agora pertencem à massa liquidante da instituição.
"Embora o Will Bank tenha encerrado suas atividades, os contratos firmados com clientes continuam válidos. Na prática, dívidas como faturas de cartão de crédito, empréstimos e financiamentos permanecem exigíveis", explica.
Como o sistema da instituição está instável, muitos usuários relatam dificuldade para emitir boletos. Nestes casos, a orientação é aguardar a divulgação dos canais oficiais que serão estabelecidos pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
"Havendo dificuldade de pagamento, o cliente deve acompanhar comunicados oficiais e documentar formalmente as tentativas de quitação", complementa Roberto. Reinaldo Domingos, mestre em Educação Financeira, reforça que, no entanto, não há motivo para desespero, e, neste cenário inicial, o consumidor não deve ser protestado. O "mais importante é acompanhar as informações oficiais que serão divulgadas".
Para quem possui saldo em conta-corrente ou aplicações financeiras com Recibos de Depósitos Bancário (RDBs) e Certificado de Depósito Bancário (CDBs), o cenário é de segurança garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Como o Will Bank era uma instituição associada ao fundo, os clientes têm direito ao ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF. Para quem tinha mais, o ressarcimento deve demorar. Porém, a empresa era focada em pessoas de menor poder aquisitivo e a expectativa, portanto, é que esse teto em dinheiro cubra a maioria dos consumidores.
“O cliente não deve ter prejuízo financeiro, apenas precisará ter paciência até que o processo de ressarcimento seja concluído. Esse é também um momento importante para acompanhar atentamente as comunicações oficiais do Banco Central, que irá orientar os correntistas sobre os próximos passos”, detalha Reinaldo.
O processo de devolução do dinheiro aplicado ocorre de forma totalmente digital. O correntista deve baixar o aplicativo oficial do FGC, realizar o cadastro com seus documentos e aguardar o processamento da lista de credores.
Porém, o pagamento não é imediato. Após a consolidação dos dados pelo liquidante, o prazo médio para a liberação do dinheiro costuma variar entre um e dois meses.
Contudo, não se pode apostar todas as fichas no FGC. Roberto detalha que "O Fundo Garantidor de Créditos é reconhecido pelo Banco Central, mas não é infalível. A liquidação do Master e do Will Bank pressiona o fundo e pode afetar prazos, mesmo com garantia limitada a certos produtos".
Por Tadeu Nogueira (com O Povo)
