Enquanto se discute com mais veemência este ano a questão dos cachês absurdos cobrados no período momino, Granja mostra mais uma vez que dinheiro não é problema.
Listada como a 3ª cidade mais pobre do Brasil em renda média, tendo sido a primeira nesse quesito em todo o Ceará, segundo estudo divulgado em 2023 pela renomada Fundação Getúlio Vargas, Granja vai promover o carnaval mais caro de toda a zona norte, segundo dados do portal Carnaval Transparente 2026, lançado pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE).
No ranking estadual, o município surge em sexto lugar, desbancando gigantes da economia como Tianguá (90 mil habitantes e maior economia do Ceará) e Crateús.
Para os 4 dias de folia, cuja comemoração ocorre apenas em um local, ao lado do Rio Coreaú, a prefeitura vai "torrar" R$ 3.100.000,00, valor esse que consta no TCE, mas que pode chegar a bem mais, de acordo com levantamento feito pelo Vereador Donato Fontenele, que apontou uma despesa que chega a R$ 5 milhões.
"Vivemos em uma cidade cujo prefeito repete com orgulho que o palco do carnaval de 2024 foi eleito o mais bonito do Ceará. Por aí se nota as prioridades", comentou um morador.
Mas não é a primeira vez que Granja, que surge no ranking de qualidade de vida do Índice de Progresso Social (IPS) 2025, na posição 143 entre os 184 municípios do Ceará, ostenta na folia.
Em 2025, por exemplo, segundo dados do mesmo TCE, Granja fez o quinto carnaval mais caro do Ceará, com R$ 3,5 milhões, ficando à frente de cidades consideradas ricas como Paracuru (R$ 2,5 milhões); Beberibe (R$ 2,3 milhões) e Cascavel (R$ 2,3 milhões).
Mas o paradoxo não para por aí.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, divulgado em 2024, a Granja que lidera o ranking da zona norte em gastos com a folia é a mesma que tem menos banheiros em residências no Ceará.
Quase 15% dos Granjenses não têm onde fazer suas necessidades fisiológicas, apontou o levantamento.
Sobre infraestrutura hoteleira e gastronômica para receber grandes públicos, a cidade de 55 mil habitantes conta com praticamente o mesmo número de pousadas (3) e restaurantes (3) que existia há 13 anos, quando ocorreu o primeiro Granfolia (nome escolhido pelo então prefeito à época, Romeu Arruda). Ou seja, não tem.
Por Tadeu Nogueira