O que deveria ter terminado nas urnas de 2024 se transformou numa guerra judicial sem precedentes em Barroquinha.
Após ser derrotado por Jaime Veras e Carmem Lúcia, o deputado Romeu Arruda (presidente da Alece) desencadeou uma ofensiva múltipla de ações para cassar os mandatos dos eleitos.
Das dezenas de processos, sobreviveram uma AIJE e uma representação sobre o uso de R$ 13.859 do FEFC para dois candidatos autodeclarados brancos, numa acusação que ignora o fato de Jaime ser pardo.
O TRE-CE chegou a cassar os mandatos, levando o vereador Professor Wilson à Prefeitura por 16 dias, mas o TSE reverteu a decisão por unanimidade (7x0) e confirmou a permanência do governo eleito.
A trama ganhou novos contornos quando Professor Wilson, ex-aliado de Jaime, rompeu politicamente e se aliou ao projeto de cassação liderado por Romeu.
O movimento expôs a natureza política da disputa: não se trata apenas de questões jurídicas mas de uma tentativa de reverter no tapetão o que foi decidido pelo povo. O caso voltou ao plenário do TSE após o ministro Floriano de Azevedo Marques divergir do relator André Mendonça, que vinha mantendo os mandatos.
Na sessão dessa quinta-feira (12), o julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deixando Barroquinha novamente em suspense.
O cenário revela uma estratégia de desgaste permanente que mantém a cidade refém de instabilidade institucional.
Enquanto Romeu insiste na cassação, aliados de Jaime denunciam uma perseguição política que usa o Judiciário para anular a vontade popular. A decisão final do TSE definirá se Barroquinha terá paz para governar ou se continuará sendo palco de uma disputa que transformou diferenças eleitorais em batalha judicial interminável.
A democracia local aguarda que os ministros ponham fim a este ciclo de instabilidade que já dura mais de um ano.
Por Tadeu Nogueira