A informação é da publicação “Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama”, lançada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) na terça-feira (27).
O material, que reúne 24 estudos desenvolvidos no Brasil e em outros cinco países, aponta que a taxa de mortalidade da doença nas mulheres negras é quase quatro vezes (3,8) maior do que nas mulheres brancas.
As mulheres brancas têm maior incidência de câncer de mama, mas as mulheres negras morrem mais em decorrência da falta de acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento.
Segundo a publicação, as mulheres negras são diagnosticadas com a doença em estágios mais avançados, embora elas sejam mais jovens.
A pesquisa também aponta que fatores relacionados à genética e ancestralidade devem ser considerados para compreensão melhor das diferenças.
De acordo com a coordenadora de detecção precoce do Inca, Renata Maciel, além de serem impactadas pelas desigualdades, as mulheres negras têm incidência maior do subtipo triplo negativo, que é mais grave.
Renata também aponta que evidências mostram que o exame de rastreamento do câncer de mama é menor em mulheres negras, enquanto as brancas têm maior acesso aos exames preventivos.
Para prevenir a doença, a publicação recomenda fortalecer políticas de promoção da saúde para reduzir fatores de risco como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas, e promover práticas protetoras como alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno.
Por Tadeu Nogueira (com Alma Preta)