Um único ministro foi afastado nos 125 anos de existência do STF. O nome em questão é familiar aos cariocas: Barata Ribeiro.
É em sua homenagem que foi nomeada uma rua de Copacabana.
Há mais de um século, em 1892, Ribeiro virou prefeito do Distrito Federal, que na época ficava na cidade do Rio de Janeiro.
No cargo, o formado em medicina defendeu o fim da escravidão, a instauração da república e uma política higienista (ideologia que prega intervenções na cidade em prol da saúde pública, mas que, na prática, expulsa populações pobres para a periferia).
Barata Ribeiro acabou com cortiços da cidade.
O Cabeça de Porco, considerado o cortiço mais famoso do Rio, foi completamente extinto durante sua administração. Isso tudo chamou a atenção do presidente da época, Marechal Floriano Peixoto.
Logo, Ribeiro foi convocado para ser o novo membro do STF. Assim como é feito hoje, os ministros eram indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado.
Ribeiro entraria no lugar do Barão de Sobral, que havia falecido. Ele topou e assumiu o cargo em 25 de novembro de 1893. Só que durou pouco.
Acontece que, meses depois de Barata ter assumido o cargo, o Senado barrou a sua indicação. Atualmente, esse processo é feito antes da posse (o que faz todo o sentido) – no século 19, não. O Congresso o sabatinou somente em 24 de setembro de 1894, e não gostou do indicado.
O argumento foi que ele não tinha um “notório saber”, já que era médico e não tinha nenhuma formação em Direito. Ribeiro teve que sair do cargo no mesmo dia.
Anos mais tarde, entre 1900 a 1909, ele chegou a atuar como senador, ou seja, trabalhando com as mesmas pessoas que haviam vetado seu nome para o Supremo. Faleceu no ano seguinte, no Rio de Janeiro.
Por Tadeu Nogueira (com Superinteressante)