O Piauí mantém a liderança nacional na produção de pó de carnaúba. Em 2025, o estado produziu 8.492 toneladas, o equivalente a 56,37% de toda a produção brasileira, segundo a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE.
O resultado também colocou o Piauí no topo em valor: R$ 150,6 milhões, alta de 23,15% em relação ao ano anterior.
A produção piauiense cresceu 5,5% em um ano, com 445 toneladas a mais que em 2024. O estado respondeu sozinho por mais da metade do pó de carnaúba produzido no país. Na sequência aparece o Ceará, com 39,45%. Juntos, os dois estados concentram 98,82% da produção nacional.
Mas os números guardam uma surpresa que contraria uma das imagens mais conhecidas do Piauí. Campo Maior, tradicionalmente reconhecida como a “Terra da Carnaúba”, não é o município que mais produz pó de carnaúba no estado, nem sequer está entre os dois primeiros.
Em 2025, Campo Maior produziu 335 toneladas, ficando atrás de São José do Divino, com 385 toneladas, e de Nossa Senhora de Nazaré, com 352 toneladas.
A liderança municipal, aliás, está ainda mais distante da famosa “Terra da Carnaúba”. Os quatro maiores produtores de pó de carnaúba do Brasil estão no Ceará: Granja, com 846 toneladas; Camocim, com 839; Santana do Acaraú, com 507; e Coreaú, com 387. São José do Divino aparece em quinto lugar no ranking nacional e é o primeiro município piauiense.
Ao todo, 108 municípios do Piauí registraram produção de pó de carnaúba em 2025, mostrando a dimensão da cadeia extrativista no estado. Além de São José do Divino, Nossa Senhora de Nazaré e Campo Maior, aparecem entre os principais produtores piauienses São João da Serra, com 293 toneladas; São Miguel do Tapuio, com 277; e Luís Correia, com 274.
Apesar da liderança atual, os números também revelam um desafio para o setor. A produção piauiense vem apresentando tendência de queda no longo prazo.
Em 2007, o estado atingiu seu recorde histórico, com 13.359 toneladas, 57,3% acima do volume registrado em 2025. Ainda assim, o Piauí segue como o grande protagonista nacional de uma das cadeias extrativistas mais tradicionais e importantes do Nordeste.
Por Tadeu Nogueira (com Conecta Piauí)
