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quinta-feira, 14 de abril de 2016

CASO GLEYDSON: JUSTIÇA NEGA 3º PEDIDO DE LIBERDADE A ACUSADO DA MORTE

A Justiça do Ceará negou, pela terceira vez, pedido de liberdade para o acusado de financiar o assassinato do radialista Gleydson Carvalho, no município de Camocim. Francisco Pereira da Silva, conhecido como “Chico Dentista”, foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e mediante a recurso que dificulte a defesa da vítima) e organização criminosa armada.
A decisão foi proferida em sessão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), na terça-feira (12). No habeas corpus, a defesa de Francisco Pereira da Silva alegou ausência de fundamentação da prisão preventiva, a necessidade de concessão da prisão domiciliar (o réu sofre de cardiopatia e hipertensão) e excesso de prazo na formação da culpa.
De acordo com o desembargador Mário Parente Teófilo Neto, relator do processo, a prisão do acusado deve ser mantida. “Não vislumbro, neste momento, constrangimento ilegal pelo excesso de prazo para a formação da culpa apto a autorizar a concessão do presente writ [habeas corpus]”. Em fevereiro deste ano, a defesa já tinha solicitado dois pedidos de liberdade - sob os mesmos argumentos. Ambos foram negados pela 1ª Câmara Criminal.
Com relação à prisão domiciliar, o magistrado destacou que não foi anexado ao processo laudo médico recente que ateste o agravamento da doença e que o Estado prestou atendimento médico quando o réu precisou. “A prisão domiciliar só pode ser excepcionalmente concedida a réus que apresentem doença grave, quando o Estado não puder prestar a devida assistência médica, a qual não é o caso dos autos”.
O crime ocorreu em 6 de agosto de 2015 na cidade de Camocim. Segundo a Polícia Militar, dois homens chegaram à Rádio Liberdade FM dizendo que queriam fazer um anúncio. Em seguida, renderam a recepcionista, invadiram o estúdio onde Gleydson apresentava um programa, dispararam contra o radialista e fugiram. De acordo com testemunhas, na hora do homicídio a transmissão estava com programação musical. Gleydson Carvalho levou três tiros, um deles na cabeça.
O radialista chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Deputado Murilo Aguiar, mas morreu no caminho. Gleydson Carvalho era conhecido na cidade por ser apresentador de um programa que faz denúncias contra políticos da região.
Francisco Pereira da Silva foi preso em 2 de dezembro do mesmo ano, na cidade de Martinópole. Ele é apontado nos depoimentos como sendo um dos financiadores da morte do comunicador. As imagens de câmeras de segurança mostram os dois suspeitos em frente ao local de trabalho da vítima três dias antes do crime. Segundo o Ministério Público do Ceará, o crime foi motivado por críticas políticas que o radialista fazia em seu programa.  A investigação apontou envolvimento de sete pessoas no crime - entre elas o tio e o sobrinho do prefeito de Martinópole. Conhecido pelas denúncias e cobranças contra políticos da região, Gleydson morreu por "falar demais". 
A morte do radialista cearense foi uma das que levou o Estado brasileiro a ser denunciado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), por por violação ao direito à liberdade de expressão, firmado na Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário desde 1992.
Postado por Tadeu Nogueira às 18:38h
Com informações do G1CE

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