terça-feira, 6 de novembro de 2018

UMA GUERRA DESIGUAL

Quase todos os dias, pessoas são presas em Camocim, acusadas de comercializar drogas. O número de prisões e apreensões teve aumento significativo após a implantação, em junho deste ano, do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio).  
Ainda assim, mesmo diante do combate ininterrupto das Forças de Segurança, é crescente a recorrência de tais crimes. 
Há casos em que, após o indivíduo ser preso, sua esposa fica à frente das "vendas". E se ela for presa também, algum filho, seja maior ou, infelizmente, de preferência, menor, passa a comandar o "empreendimento familiar" criminoso. 
O risco excessivo, o perigo iminente, nota-se, é recompensado pela quantidade cada vez maior de dependentes. Essa demanda em crescimento galopante não é uma "ferida" local. Ela mostra-se cada vez menos cicatrizante, muito além de Camocim. O alcance é mundial. 
O legado cruel disso reflete-se nas mortes precoces de milhares de jovens e nos rios de lágrimas derramados pelas famílias dos que sucumbiram ante misturas químicas produzidas com a intenção de lucrar e matar. 
Durante as grandes guerras, milhões de pais choraram as perdas de seus filhos. De consolo, eram informados que tais mortes ocorreram em plena defesa da liberdade do país. 
Milhões de pais seguem perdendo seus filhos, sendo que, dessa vez, não há glória, não há honra. O inimigo passou a ser invisível. Já a dor, essa é perpétua e lancinante.      
Postado por Tadeu Nogueira 10:18h

Nenhum comentário: