A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ligada ao Ministério da Saúde, aprovou a inclusão, na rede pública, de um exame genético mais moderno para detectar alterações associadas ao câncer de mama, antes disponível apenas para pacientes com planos de saúde.
O teste, conhecido como sequenciamento de nova geração, já é oferecido há mais de 30 anos na rede privada e agora deverá integrar a rotina do SUS.
A oferta ainda depende da publicação de uma portaria no Diário Oficial da União e da organização dos serviços para realizar o exame.
O sequenciamento de nova geração permite analisar, de forma simultânea e em larga escala, milhões de fragmentos de DNA.
Especialistas comparam as sequências obtidas com padrões de referência, o que possibilita identificar mutações genéticas relacionadas ao desenvolvimento de tumores de mama e de ovário.
Quando o exame aponta uma alteração, médicos podem propor estratégias personalizadas de redução de risco e acompanhamento intensivo.
Em alguns casos, a recomendação inclui cirurgias preventivas, como: Mastectomia preventiva, com retirada de uma ou ambas as mamas; Salpingooforectomia, com remoção de trompas de falópio e ovários.
Impacto no diagnóstico e na prevenção
Ainda não há prazo definido para o início da oferta do sequenciamento genético pelo SUS. Para especialistas em genética, quando o teste estiver disponível, ele poderá ajudar a identificar tumores em estágios iniciais e orientar condutas de prevenção antes mesmo do aparecimento da doença.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar, este ano, mais de 78 mil novos casos de câncer de mama e entre 7 mil e 8 mil novos diagnósticos de câncer de ovário, números que reforçam a importância do rastreamento em grupos de risco.
Para o médico geneticista Salmo Raskin, o acesso ao sequenciamento na rede pública pode mudar o acompanhamento de famílias com histórico da doença.
Por Tadeu Nogueira (com Band)
