O crescimento do mercado de apostas online, as chamadas bets, já vem afetando diretamente o orçamento essencial das famílias brasileiras em 2026.
Setores como vestuário, alimentação e educação já registram quedas devido ao redirecionamento de renda para as plataformas, entre elas a do tigrinho, umas das mais conhecidas.
O impacto é sentido em gastos básicos. Cerca de 23% dos apostadores deixaram de comprar roupas e 19% reduziram despesas em supermercados. Famílias estão sacrificando a alimentação para manter o hábito de apostar.
As apostas já são o principal fator de endividamento familiar no país, superando o peso das taxas de juros e do crédito, o que vem criando um ciclo de inadimplência que já afeta quase 30% da população.
O Brasil se tornou o quinto maior mercado global do setor. Essa expansão é especialmente forte nas classes C, D e E.
Em Camocim, por exemplo, esse vício, também conhecido como ludopatia, disparou principalmente nesses dias de Copa do Mundo. Na cidade há pessoas que já perderam emprego, moto, carro, casa, dignidade, saúde mental e até a própria família.
Até o momento, infelizmente, no âmbito local, não há um enfrentamento à altura do risco, por parte das instituições, contra os malefícios causados por essa praga que vem destruindo vidas.
Se você sofre desse vício e busca tratamento, saiba que ele existe e é gratuito:
O primeiro passo é acessar o aplicativo Meu SUS Digital (ou a versão web), fazer login com a conta gov.br e selecionar, na aba “Miniapps”, a opção relacionada a problemas com jogos de apostas.
O usuário responde a um autoteste validado no Brasil, com perguntas baseadas em evidências científicas para identificar sinais de risco.
Se o resultado indicar risco moderado ou elevado, o encaminhamento ao teleatendimento é automático.
Em casos considerados de menor risco, o aplicativo orienta a buscar atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Mais de 574 mil pessoas recorreram à autoexclusão de sites de apostas, enquanto quase 300 mil usuários abandonaram as plataformas devido à compulsão.
Além disso, o serviço de teleatendimento gratuito do SUS para tratamento de dependência em apostas registrou quase 7 mil usuários cadastrados em seus primeiros meses de funcionamento.
Por Tadeu Nogueira
